Prefeita de Umbaúba anuncia exonerações após morte de idosa; polícia investiga atuação do médico
Segundo a Polícia Civil, até o momento não existem elementos que comprovem relação entre o atendimento médico prestado e a morte da paciente
A prefeita de Umbaúba, Juliana Cardoso, anunciou, nesta quinta-feira (18), a exoneração do secretário Municipal de Saúde, Mateus Felipe Santos Santana, e da responsável técnica pela unidade de saúde, onde foi registrada a suspeita de atuação irregular de um médico, investigada pela associação com a morte de uma idosa. A gestora também informou que determinou a rescisão do contrato com o médico responsável pelo plantão.
A Polícia Civil investiga a denúncia de exercício ilegal da medicina na Clínica Municipal 24 Horas de Umbaúba. De acordo com as investigações iniciais, um homem teria realizado atendimentos médicos sem possuir registro profissional válido. A apuração indica que ele teria utilizado a identificação profissional e o carimbo do próprio irmão, que é médico inscrito no Conselho Regional de Medicina (CRM).
A suspeita começou após questionamentos feitos por familiares de uma paciente que foi atendida na unidade de saúde. A mulher morreu posteriormente, e as causas do óbito também entraram na linha de investigação da polícia.
Segundo a Polícia Civil, até o momento não existem elementos que comprovem relação entre o atendimento médico prestado e a morte da paciente. As circunstâncias do falecimento serão esclarecidas após o resultado dos exames periciais e das investigações. O Instituto Médico Legal (IML) foi acionado para realizar o exame necroscópico, que vai apontar a causa da morte.
A Delegacia de Umbaúba apura duas frentes distintas relacionadas ao caso. Prática de exercício ilegal da medicina, a ser analisada por meio do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) lavrado, enquanto as circunstâncias da morte da paciente serão investigadas em inquérito policial conduzido pela Delegacia de Umbaúba. O médico foi ouvido pela delegacia e liberado.
O secretário não foi localizado para falar sobre o assunto.
O que diz o Conselho
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Sergipe (CREMESE) informou que tomou conhecimento dos fatos pela imprensa e que ainda não foi comunicado formalmente pelas autoridades policiais ou gestoras.
Segundo o Cremese, verificou-se que o cidadão apontado como executor do ato médico detém Registro no Ministério da Saúde (RMS), na condição de médico integrante do Programa Mais Médicos. O RMS é uma autorização profissional específica e restrita, que permite a atuação do profissional de forma exclusiva no âmbito do projeto e estritamente na Atenção Básica do município para o qual foi alocado. É expressamente vedado a este profissional prestar plantões fora do programa ou atuar em clínicas privadas e unidades de urgência/emergência. Sobre a utilização indevida de dados profissionais: O médico que teve seus dados cadastrais e carimbo utilizados de forma indevida durante o atendimento possui inscrição regular e ativa perante o CREMESE desde dezembro de 2025.
O CREMESE informa que a Direção Técnica do Hospital de Pequeno Porte José Nailson Moura (Clínica Municipal 24 Horas de Umbaúba) foi oficiada para, no prazo de 24 horas prestar informações e esclarecimentos circunstanciados sobre o caso.
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