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Por que Globo se prepara para guerra contra vitória de Lula no 1° turno

Um Lula mais forte poderia avançar em uma agenda de reindustrialização, fortalecimento do Estado, defesa de empresas públicas e ampliação de direitos sociais, e isso terá um preço para o projeto neoliberal.

Por MSN Publicado em 20/08/2026 12:30
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A Globo se pintou para a guerra contra Lula. O Globo de hoje traz quatro reportagens sobre Roberta Luchsinger Singer e Lulinha. Uma delas trata de uma mensagem que Roberta teria enviado a Marcola sobre cannabidiol. Outra aborda um contrato que, segundo a própria reportagem, nunca existiu. Há ainda uma matéria sobre a casa alugada por ela e paga antecipadamente.

questão não é investigar. Jornalismo tem que investigar. A questão é: por que tanta energia concentrada nisso?

Eu tenho dúvidas de que a Globo queira que Flávio Bolsonaro ganhe a eleição. Se fosse Ronaldo Caiado, por exemplo, talvez fosse diferente. Historicamente, a Globo se alinhou contra Lula em eleições disputadas com Serra, Fernando Henrique, Collor, Aécio e até Alckmin. No entanto, Bolsonaro também foi péssimo para a Globo. Cortou recursos, atacou a emissora e colocou sua militância contra jornalistas. Repórteres chegaram a cobrir manifestações com o microfone escondido.

Então o problema é outro. A Globo pode não querer Flávio, mas também não quer que Lula ganhe no primeiro turno. E aí eu pergunto: por que não vemos a mesma disposição investigativa sobre Karina, empresária ligada ao Dark Horse, ou sobre Mário Frias, diretor do filme? Por que Dark Horse desapareceu do noticiário enquanto Lulinha volta para o centro das atenções? Essa não é uma questão menor

Uma vitória de Lula no primeiro turno poderia alterar a correlação de forças na Câmara, no Senado e nas disputas estaduais. E poderia dar ao presidente mais liberdade política para conduzir o quarto mandato. É justamente aí que entra o projeto econômico da Globo e da Faria Lima.

Um Lula mais forte poderia avançar em uma agenda de reindustrialização, fortalecimento do Estado, defesa de empresas públicas e ampliação de direitos sociais, e isso terá um preço para o projeto neoliberal.

Por isso, para mim, a questão central desta eleição não é apenas quem a Globo quer eleger. É quem ela não quer que Lula derrote no primeiro turno. Porque um segundo turno abre uma nova rodada de pressão sobre o candidato que chegar à frente, e uma eleição decidida no primeiro turno pode produzir outra correlação de forças.

A Globo quer Flávio Bolsonaro? Eu ainda tenho dúvidas. Mas tenho menos dúvidas sobre outra coisa: uma vitória de Lula no primeiro turno pode incomodar bastante o projeto neoliberal.