Política

Exclusivo: O que o Deotap descobriu na investigação contra Valmir de Francisquinho

Podemos dizer que é inédita essa publicação porque ela vai além das narrativas que até aqui foram empregadas entre acusadores, Valmir e seus aliados e defensores.

Por Fan F1 Publicado em 25/05/2026 07:06
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Com a quebra de sigilo de um dos processos contra Valmir de Francisquinho, a Domingueira teve acesso ao conteúdo das investigações que relembra uma forma de operação muito comum e que, neste caso de Itabaiana, vai além de empresas ligadas ao famoso matadouro da cidade.

Podemos dizer que é inédita essa publicação porque ela vai além das narrativas que até aqui foram empregadas entre acusadores, Valmir e seus aliados e defensores.

Há investigações que surgem e somem e outras permanecem eternas, porque seu conteúdo continua provocando indignações e curiosidades mesmo anos depois, especificamente em anos eleitorais.

É exatamente o caso do relatório parcial produzido pelo DEOTAP envolvendo o ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, o servidor Jamerson da Trindade Mota e empresários ligados à Prefeitura e ao matadouro municipal.

O material obtido pela coluna impressiona. A investigação fala em movimentações milionárias, depósitos em contas de terceiros, pagamentos em espécie, empresários que mantinham contratos públicos, compra de imóveis, aquisição de veículos de luxo e circulação de dinheiro incompatível com a renda formal declarada pelos envolvidos.

No centro da engrenagem aparece Jamerson. Ele é servidor comissionado da Prefeitura de Itabaiana, descrito nos autos como alguém de renda modesta. Mesmo assim, Jamerson teria movimentado aproximadamente R$ 2 milhões entre créditos e débitos, segundo o relatório do DEOTAP.

O detalhe que mais chama atenção é que vários empresários afirmam não conhecê-lo pessoalmente. Mesmo assim, realizaram depósitos para sua conta. Outros disseram não lembrar a motivação das transferências.

Houve quem afirmasse que a conta foi indicada por pessoas ligadas à prefeitura.

Justificativas? Há quem diga que os valores eram operacionais. Há quem sustente que se tratava de empréstimos. E há quem simplesmente alegue desconhecimento.

O relatório conecta a investigação diretamente ao matadouro municipal de Itabaiana. Segundo o DEOTAP, havia uma diferença milionária entre os valores arrecadados nas operações do matadouro e o montante efetivamente recolhido aos cofres públicos. A investigação afirma ainda que empresas responsáveis pelo recolhimento de resíduos animais realizavam pagamentos por intermédio da conta de Jamerson.

A lógica descrita pelos investigadores é direta: o dinheiro entrava, era pulverizado e depois sacado rapidamente em espécie.

Os documentos citam: R$ 100 mil pagos em dinheiro vivo na compra de lotes; R$ 450 mil entregues em espécie na negociação de um sítio; R$ 200 mil sacados, além de sucessivos depósitos seguidos de retiradas imediatas.

A investigação também avança sobre patrimônio e pessoas próximas ao núcleo político do ex-prefeito. Há referências à esposa de Valmir, Thaylane Monique, apontada nos autos como adquirente de imóvel rural avaliado em R$ 450 mil.

Uma testemunha afirma ter recebido o valor integral em espécie. O intermediador da negociação nega ter entregue o dinheiro. Ou seja, uma clara contradição.

Outro trecho sensível envolve um veículo Toyota SW4, carro que, por coincidência, é atualmente usado por Valmir de Francisquinho. Um aliado político de Valmir afirmou em depoimento que utilizou a conta de Jamerson para fracionar um saque de R$ 200 mil após operação ligada à venda do veículo ao ex-prefeito.

O caso vai além do matadouro. Empresários da construção civil também aparecem no relatório. Há depoimentos de construtores que admitiram depósitos para Jamerson, embora sustentem não possuir relação pessoal com ele. Um deles afirmou posteriormente que realizou os depósitos após indicação de representante da Prefeitura de Itabaiana.

O DEOTAP também aponta movimentações envolvendo empresas como Paviter, JRJ Construções e Campo do Gado, esta última ligada ao recolhimento de resíduos do matadouro.

O relatório policial sustenta a hipótese de utilização de interpostas pessoas, os chamados “laranjas”, para ocultação patrimonial e circulação de valores.

Mas aqui é preciso fazer a separação que o debate político normalmente não faz. O relatório do DEOTAP não é sentença judicial. E essa sentença parece nunca sair.

Não há condenação. Não há culpa reconhecida pela Justiça. Os citados negam irregularidades. E o próprio inquérito acabou remetido ao Ministério Público após decisões judiciais que interromperam o avanço da investigação policial.

Apesar disso, seria ingenuidade fingir que o material não possui gravidade. Porque o que aparece nos documentos não é apenas uma disputa política polarizada.

É uma investigação construída a partir de quebras de sigilo bancário, relatórios fiscais, escrituras, contratos, movimentações financeiras, depoimentos e cruzamentos patrimoniais.

Talvez a maior pergunta hoje não seja mais o que o DEOTAP descobriu. Isso está documentado.

A pergunta é: por que um caso com movimentações milionárias, dinheiro vivo, contas de terceiros e personagens tão próximos do poder político ainda não teve um desfecho definitivo na Justiça?

NOTAS DA SEMANA

Valmir de Francisquinho no STJApós posicionamento do Ministério Público Federal no processo contra Valmir de Francisquinho, voltou a circular com força a informação de que o julgamento deve ocorrer até o mês de junho. Através de uma fonte consultamos o processo no sistema do STJ e conseguimos a informação de que não há designação para julgamento de nenhum dos dois processos.

Valmir de Francisquinho no STJ IIDa parte de aliados de Valmir surge com cada vez mais tranquilidade a versão de que mesmo o julgamento ocorrendo, há uma confiança na vitória. “Acertamos em cheio no escritório”, disse a fonte revelando o clima de otimismo.

André confia na anulaçãoQuestionado sobre a nova decisão da Justiça que mais uma vez o condenou a devolver recursos por uso de celulares pagos pela Prefeitura de Pirambu, e a perda de direitos políticos, o pré-candidato a senador André Moura mostrou confiança em futura anulação da sentença.

Thiago de Joaldo e Susane VidalA prefeita Emília Corrêa vai dividir seu agrupamento em Aracaju entre duas pré-candidaturas. Sua escolhida e digamos assim “apadrinhada”, Susane Vidal e o aliado e deputado federal Thiago de Joaldo que já destinou quase R$ 40 milhões em emendas para Aracaju. Em conversa com aliados da prefeita, descobrimos que já há até uma espécie de coordenador na campanha de Susane, que seria Hugo Esoj da Emsurb.

CPI das ConcessõesApós o nome do vereador Lúcio Flávio ser vinculado a uma atuação direta para liberação de uma sorveteria na Orla de Atalaia, surge agora um outro nome que teria atuado. Segundo uma fonte, não teria sido Lúcio o padrinho e sim o atual secretário de Planejamento de Aracaju, o advogado Thiago Silva. A CPI ainda não começou o clima de pressão é enorme na Câmara de Aracaju.

Rogério Carvalho e Márcio MacêdoNa tarde da última sexta-feira, 22, dia de Santa Rita de Cássia, a intercessora das causas impossíveis, o pré-candidato a deputado federal Márcio Macêdo e o senador Rogério Carvalho foram registrados em diálogo, em um clima de unidade e descontração. A declaração de Marcio sobre a formação da chapa para a Câmara dos Deputados virou pauta do encontro que ocorreu no tradicional Bar do Camilo, na Coroa do Meio, e foi testemunhado por militantes do PT.

Everton pré-candidato a federalO empresário Everton Souza, filho adotivo do ex-governador Jackson Barreto será candidato a deputado federal pelo PV que está federado com o PT. A revelação foi feita por JB em entrevista na cidade de Pinhão que vai ao ar no Jornal da Fan de amanhã. O objetivo é fortalecer a chapa na tentativa de eleger dois deputados. Everton trabalha também para que Camilo se eleja estadual para que ele assuma vaga na Câmara de Aracaju.

Emília culpa crise hídricaA prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, atribuiu à crise hídrica o fato de a capital sergipana ter permanecido, pelo segundo ano consecutivo, na terceira posição do ranking nacional que avalia a qualidade de vida nas cidades brasileiras. Coordenado pelo Instituto Imazon, o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil analisa 57 indicadores para medir aspectos relacionados à qualidade de vida e ao bem-estar da população.

Emília culpa crise hídrica IIEmília disse que Aracaju evoluiu em vários indicadores para que a crise hídrica provocada pela “Iguá do governador”, impediu que Aracaju avançasse na avaliação. Emília faz a afirmação de forma direta e em tom político.

IPS Sergipe IAracaju segue sendo a locomotiva social de Sergipe, apesar do debate político entre Emília e seus opositores, no IPS Brasil 2026, a capital aparece como a 14ª melhor capital do país e integra o Grupo 1 nacional, faixa dos municípios com melhor desempenho social do Brasil. A capital alcançou índice 66,35 e ficou à frente de cidades como Salvador, Recife e Maceió. Aracaju mantém, segundo a pesquisa, uma boa estrutura urbana, acesso a serviços e indicadores sociais acima da média nordestina.

IPS Sergipe IIAlgumas cidades do interior chamam atenção: Poço Verde, São Miguel do Aleixo e Moita Bonita. Elas aparecem entre os municípios sergipanos mais bem colocados no ranking nacional. O IPS mostra que mesmo em municípios menores é possível organizar e melhorar serviços básicos, saúde, educação e estrutura urbana.

IPS Sergipe IIIO levantamento também escancara outro detalhe importante: riqueza isolada não garante qualidade de vida. Municípios historicamente fortes economicamente ou com peso político tradicional, como Lagarto e Itabaiana, não necessariamente aparecem entre os melhores colocados do estado. O próprio relatório do IPS afirma que PIB sozinho não explica progresso social. Em português claro: ter dinheiro circulando não significa automaticamente viver melhor.

IPS Sergipe IVEntre os municípios sergipanos com os piores desempenhos no ranking estão Brejo Grande, na última posição estadual, além de Canindé de São Francisco, Santa Luzia do Itanhy e Riachuelo. Em comum, essas cidades enfrentam desafios históricos relacionados à infraestrutura precária, dificuldades de acesso a serviços essenciais e elevados índices de vulnerabilidade social. O retrato traçado pelo IPS evidencia um Sergipe dividido entre polos urbanos mais estruturados e regiões que ainda convivem com carências básicas, problemas que atravessam décadas sem soluções efetivas e permanentes.

IPS Sergipe VOutro dado curioso do relatório: Sergipe aparece como o 12º melhor estado brasileiro no IPS 2026, ficando à frente de estados maiores e economicamente mais robustos. O estado alcançou índice 62,10. O detalhe é que o avanço ocorre muito mais pela melhora em oportunidades e serviços do que por força econômica pura. É um retrato que ajuda a entender um fenômeno político atual: o sergipano muitas vezes reclama, mas ao mesmo tempo reconhece que houve avanço em áreas concretas da vida cotidiana.

Taxa mínima IGeorgeo Passos e Thiago de Joaldo entenderam antes do governo, da base aliada e da Iguá que a guerra da taxa mínima interessa a cada cidadão e que a narrativa em defesa do fim da cobrança tem força social. Eles pegaram uma parte real do acordo firmado no Ministério Público para a retomada da cobrança, e transformaram em verdade. O problema é que a versão é parcial. O acordo também fala em desconto, compensação, parcelamento, investimentos e fiscalização. Mas quem explicou isso ao povo? Quase ninguém. Na política, quem “come mosca” entrega força ao adversário.

Taxa mínima IIA Iguá parece acreditar que nota técnica resolve crise de indignação popular. O governo prefere o silêncio. Os aliados, com medo do desgaste, observam de longe. Enquanto isso, Georgeo e Thiago ocupam as redes com frases simples, fortes e fáceis de repetir. Resultado: uma narrativa incompleta ganhou forma de verdade inteira. Não basta ter a verdade é preciso saber contar a verdade.

Luiz Roberto critica o Fan F1O Portal, através da nossa coluna Bastidores, fez o que o governo e o secretário Luiz Roberto não fizeram, esclarecemos a verdade dos fatos. O secretário ao invés de criticar a imprensa deveria se comunicar melhor e tocar as obras do governo com mais celeridade. Há dezenas de prefeitos que estão na bronca com governo por obras prometidas e não iniciadas.

Renda do Trabalho em SergipeDados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE) mostram que Sergipe registrou o maior crescimento proporcional da renda média do trabalho do Brasil entre o 4º trimestre de 2022 e o 1º trimestre de 2026. Os resultados são consequência de ações do governo Fábio Mitidieri, é o garantem técnicos da Secretaria do Trabalho. “Ver Sergipe alcançar o maior crescimento proporcional da renda do país e liderar o rendimento médio do Nordeste é motivo de orgulho, porque demonstra que os sergipanos estão conquistando mais qualidade de vida, dignidade e perspectivas de futuro”, informou o secretário de Estado do Trabalho, Jorge Teles.

1 mil bariátricasO governador Fábio Mitidieri acompanhou, em Aracaju, mais uma agenda do programa Opera Sergipe, iniciativa que vem ampliando o acesso da população sergipana às cirurgias eletivas e especializadas, ultrapassando 60 mil procedimentos realizados em todo o estado. A visita ocorreu no Hospital de Cirurgia, unidade credenciada para realização de procedimentos bariátricos. O programa já alcançou a marca de mais de 1 mil cirurgias bariátricas realizadas.