Debate sobre banheiros, famílias LGBT e crianças em paradas gays é destaque em sessão em Aracaju
Durante o pronunciamento, Geovana destacou que o mês de maio é dedicado ao combate à LGBTfobia e criticou discursos que, segundo ela, ampliam a exclusão e a violência contra pessoas trans
A sessão desta terça-feira, 26, na Câmara Municipal de Aracaju foi marcada por um intenso debate envolvendo pautas LGBT+, defesa da família tradicional e propostas relacionadas à participação de crianças e adolescentes em paradas gays. A discussão aconteceu após a Tribuna Livre ser ocupada por Geovana Soares, representante da Associação de Defesa dos Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Sergipe (Adones).
Durante o pronunciamento, Geovana destacou que o mês de maio é dedicado ao combate à LGBTfobia e criticou discursos que, segundo ela, ampliam a exclusão e a violência contra pessoas trans.
“O Brasil ainda lidera o ranking de assassinatos de pessoas trans por 18 anos consecutivos. A maioria quase absoluta desses assassinatos são de mulheres trans, jovens e negras”, afirmou.
Ela também reforçou que a Constituição Federal e a Constituição Estadual de Sergipe garantem proteção contra discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Ao abordar o debate sobre uso de banheiros, Giovana afirmou que mulheres trans utilizam banheiros femininos há décadas sem registros de incidentes.
“Não existe perigo algum em mulheres trans e travestis usarem banheiro feminino”, declarou.
Em um dos momentos mais emocionantes da fala, Geovana relatou ter sofrido uma tentativa de estupro coletivo dentro de um banheiro masculino aos 13 anos, quando estudava em uma escola da capital.
“Por causa desse ocorrido, eu deixei de usar o banheiro da escola e desenvolvi infecção urinária severa”, contou.
Ao encerrar, pediu responsabilidade dos parlamentares ao tratar do tema.
“Não usem a vida das pessoas como pauta eleitoreira. Isso mata, isso exclui, isso discrimina”, disse.
Após a Tribuna Livre, o vereador Pastor Diego rebateu a fala e reafirmou seu posicionamento em defesa da “família tradicional” e dos valores cristãos.
“Eu sou um defensor da família tradicional, do casamento tradicional, e isso não me torna uma pessoa preconceituosa”, afirmou.
O parlamentar declarou ainda ser contrário ao uso de banheiros femininos por mulheres trans e defendeu a criação de espaços específicos.
“A minha opinião é que ou use conforme o sexo biológico ou se cria um banheiro específico para pessoa trans”, disse.
Pastor Diego também informou que protocolou um projeto semelhante ao aprovado na Câmara Municipal de São Paulo, proibindo a participação de crianças e adolescentes em paradas LGBT em Aracaju.
Segundo ele, o entendimento é de que o ambiente não seria adequado para menores de idade.
Na sequência, a vereadora Professora Sonia Meire defendeu respeito à diversidade e afirmou que diferentes formas de existência precisam ser garantidas.
“A sua forma de ver o mundo não pode impedir outras formas de existir”, declarou.
Ela também ressaltou a existência de famílias LGBT+ e cobrou políticas públicas voltadas para essa população.
Já o vereador Lúcio Flávio saiu em defesa da fala de Pastor Diego e afirmou que divergência de opinião não pode ser confundida com preconceito.
“Discordar não é preconceito. Divergir não é intolerância”, declarou.
O parlamentar também confirmou apoio ao projeto que restringe a participação de crianças e adolescentes em paradas LGBT e citou resoluções que, segundo ele, recomendam espaços específicos para pessoas trans em ambientes públicos.
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