Saúde

Capacitação amplia conscientização sobre doação de órgãos e fortalece rede de transplantes

Ação reuniu profissionais da saúde para fortalecer o cuidado com pacientes em protocolo de morte encefálica, qualificar a assistência prestada às famílias e ampliar a conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos

Por Governo de Sergipe Publicado em 07/05/2026 07:10
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Em meio a histórias marcadas pela dor da despedida e pela possibilidade de salvar vidas, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Fundação Estadual de Saúde (Funesa) e da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), promoveu, nesta quarta-feira, 6, a Oficina de Manutenção de Potencial Doador da Central Estadual de Transplantes. A ação reuniu profissionais da saúde para fortalecer o cuidado com pacientes em protocolo de morte encefálica, qualificar a assistência prestada às famílias e ampliar a conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. 

Voltada a enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem, psicólogos, assistentes sociais e demais profissionais envolvidos no processo de doação e transplante, a oficina buscou alinhar práticas e sensibilizar as equipes sobre o papel de cada área no acolhimento familiar e na manutenção adequada dos órgãos. A proposta é garantir um processo mais humanizado, ético e seguro, aumentando as possibilidades de doação e oferecendo uma nova chance de vida para milhares de pessoas que aguardam por um transplante em todo o país. O coordenador da Central Estadual de Transplantes, Benito Fernandez, destacou que a manutenção do potencial doador exige atuação integrada e sensível das equipes de saúde. 

“Quando ocorre a morte encefálica, o corpo perde seu grande comando, que é o encéfalo, e passa a precisar de uma série de intervenções médicas e multiprofissionais para manter os órgãos viáveis. Essa oficina tem justamente o objetivo de conscientizar os profissionais sobre a importância desse cuidado e também sobre o acolhimento das famílias, porque a doação é, acima de tudo, um ato de amor e solidariedade”, afirmou. Ao falar sobre a importância da conscientização da população, Benito ressaltou que conversar sobre o desejo de ser doador ainda em vida pode fazer a diferença. “Hoje, mais de 80 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil. Muitas vezes, pensamos que isso nunca vai acontecer conosco, mas qualquer um pode precisar de um órgão um dia. Por isso, é tão importante dialogar com a família e deixar clara essa vontade. Através da doação, é possível transformar um momento de dor em esperança para outras vidas”, explicou.

A assistente social da Central de Transplantes de Sergipe, Ana Maria Dantas, enfatizou que o processo vai além da doação e envolve cuidado contínuo com as famílias. “Nosso trabalho também é acolher essas famílias, compreender suas dificuldades e oferecer suporte emocional e social. Muitas vezes, encontramos situações de vulnerabilidade, medo ou desinformação. Por isso, além de orientar sobre a importância da doação, buscamos fortalecer essa rede de apoio e ajudar essas pessoas a atravessarem esse momento tão delicado”, destacou. O médico intensivista Gustavo Guedes de Carvalho ressaltou que a capacitação dos profissionais é essencial para garantir segurança e confiança em todo o processo. “Existe um protocolo rigoroso e extremamente ético para o diagnóstico de morte encefálica. Nada acontece de forma precipitada. O paciente recebe toda a assistência necessária, e o acolhimento à família acontece independentemente da decisão pela doação. A gente entende a dor desse momento, mas também sabe que uma única doação pode salvar várias vidas e transformar completamente a realidade de outras famílias”, explicou.