Saúde

Psicóloga orienta sobre ansiedade e conflitos durante o período eleitoral

Elen Paesante explica como lidar com as discussões políticas, controlar o excesso de informações e identificar sinais de que a preocupação com as eleições afeta a saúde mental

Por Infonet Publicado em 21/10/2026 08:25
Psicóloga Elen Paesante fala sobre saúde mental no período eleitoral (Foto: arquivo pessoal)


Na semana do segundo turno das eleições, as disputas políticas ganham ainda mais espaço no debate público, nas redes sociais e nas conversas entre familiares, amigos e colegas de trabalho. Em meio à polarização e às discussões acaloradas, acompanhar os acontecimentos pode despertar emoções intensas e afetar o equilíbrio emocional.

Em entrevista ao Portal Infonet, a psicóloga, gestalt-terapeuta e especialista em Arteterapia e Ecopsicologia, Elen Paesante, explica por que o cenário eleitoral pode intensificar sentimentos como ansiedade, medo e insegurança. A especialista também orienta sobre como estabelecer limites nas discussões, lidar com o excesso de informações e reconhecer os sinais de que a preocupação com a política está comprometendo a saúde mental.

Confira:

Portal Infonet: Por que o período eleitoral pode despertar emoções tão intensas?

Elen Paesante: Porque a política não trata apenas dos candidatos, mas também dos valores, dos direitos, da segurança, do futuro e do tipo de sociedade em que queremos viver. Estamos em uma sociedade dividida, e os resultados eleitorais refletem essa divisão. Quando sentimos que aquilo em que acreditamos está sendo ameaçado, emoções como medo, raiva e angústia podem se intensificar. Essa ansiedade surge por conta da “fantasia”, do que as pessoas imaginam que poderá acontecer no futuro. Isso gera insegurança e leva as pessoas para um lugar de vulnerabilidade.

Portal Infonet: Como identificar quando a preocupação com a política começa a prejudicar a saúde mental?

Elen Paesante: Quando essas preocupações começam a ocupar um espaço excessivo na nossa vida. Ficamos presos ao assunto o tempo inteiro, querendo ouvir notícias, acompanhar os acontecimentos e saber o que está acontecendo. Isso pode prejudicar nossas relações, o trabalho e a capacidade de estar presentes no cotidiano. O sinal de alerta é quando deixamos de viver a nossa própria vida para acompanhar e nos preocupar constantemente com a política.

Portal Infonet: O excesso de notícias e o uso das redes sociais podem aumentar a ansiedade?

Elen Paesante: Sim, com certeza. É como se fôssemos contaminados pelo excesso de informações, muitas delas desnecessárias, que acabam ocupando grande parte da nossa mente. A exposição constante a notícias, conflitos e conteúdos alarmantes pode nos manter em estado de alerta, como se algo estivesse prestes a acontecer a qualquer momento. Isso pode intensificar a ansiedade, o medo e a sensação de impotência, criando uma espécie de bola de neve em que o sofrimento aumenta progressivamente.


Portal Infonet: Como lidar com discussões políticas entre familiares, amigos e colegas de trabalho?


Elen Paesante: O primeiro passo é reconhecer que podemos pensar de maneira diferente sem precisar romper nossos vínculos. Acho que a política nunca foi desse jeito que está sendo, como se um quisesse convencer o outro, e é isso que torna a discussão mais perigosa. É importante escutar, respeitar os limites e perceber quando o diálogo deixa de ser uma troca e se transforma em agressão. Então, nem toda discussão precisa continuar. Estabelecer limites também é uma forma de autocuidado. Então, ao perceber que não tem como conversar, não tem como trocar, não tem como simplesmente expor o meu pensamento, eu me retiro daquele lugar. E aí é onde a psicoterapia é um lugar onde você pode falar ou, então, buscar pessoas, buscar amigos, pessoas que pensem parecido com você para poder conversar.

Portal Infonet: É possível estabelecer limites sem deixar de acompanhar os acontecimentos e participar da vida democrática?

Elen Paesante: Sim, com certeza. Estabelecer limites não significa se alienar ou se omitir, mas escolher como, quando e quanto de informação consumir, preservando a saúde emocional. Então, é em prol de uma saúde emocional, uma saúde psíquica. Podemos acompanhar a política, exercer nossa cidadania e nos posicionar sem permitir que o assunto ocupe toda a nossa vida. A política é uma parte da nossa existência, mas não é o todo. A vida é muito maior do que isso e, quando dedicamos toda a nossa atenção a uma única questão, outras áreas importantes acabam ficando de lado.

Portal Infonet: Quais hábitos ajudam a preservar o equilíbrio emocional durante esse período?

Elen Paesante: Manter uma rotina saudável é fundamental, especialmente em relação ao sono. Também é importante praticar atividades físicas, estar com pessoas queridas, cultivar momentos de lazer e manter contato com a natureza. Limitar o tempo nas redes sociais e investir em atividades que nos reconectem com o presente e com a vida para além das telas também ajuda. Fazer arte, ouvir música, tocar um instrumento, ler livros e conversar sobre outros assuntos são maneiras de ampliar nossos interesses e lembrar que a vida continua para além da política.

Portal Infonet: Quando é necessário procurar ajuda psicológica?

Elen Paesante: Quando a angústia, a ansiedade, a irritabilidade e o medo começam a comprometer a qualidade de vida, afetando a rotina, o sono, as relações e o bem-estar. A psicoterapia pode ajudar a pessoa a reconhecer o que está sentindo, compreender as próprias emoções e desenvolver recursos para lidar com elas de maneira mais saudável. Não precisamos esperar chegar ao limite para buscar ajuda. A Gestalt-terapia busca justamente ampliar essa consciência, ajudar a pessoa a olhar fora da caixinha e poder perceber o que está sentindo, como ela está reagindo, perceber quais são os limites e quando está deixando de cuidar de si. Cuidar da saúde mental e emocional também é assumir a responsabilidade pelo nosso bem-estar, sem deixar de participar e de nos envolver com aquilo que acontece à nossa volta.