Governo do Estado investe em produção agrícola sustentável por meio da agrofloresta
Novo modelo alimentar para Sergipe propõe integração de variedades regionais à floresta nativa
Durante a pandemia da covid-19, em 2021, o empresário Luiz Henrique Cunha Andrade iniciou um projeto de agroecologia no agreste sergipano, numa propriedade de 27 mil m² que foca na produção de alimentos sem veneno, plantio de mogno e transição para o cultivo de café, num sistema intitulado ‘agrofloresta’ - prática regenerativa que se embasa na resiliência da agricultura e viabilidade econômica por meio dela.
A propriedade de Andrade é vista como exemplo de sucesso, no Povoado Figueiras, em Moita Bonita, na região agreste do estado. O sítio de Luiz Henrique também incorpora o turismo de experiência e, para atingir seus objetivos, ele conta com o suporte técnico do Governo do Estado, por meio das orientações de manejo da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro).
De acordo com o coordenador do escritório local da Emdagro, Waltenys Braga Silva, o sítio de Luiz Henrique caminha para a sustentabilidade financeira, com foco na produção de café e frutas, além da criação de uma estação de trabalho multiuso para beneficiamento de produtos, turismo rural e cursos em sua propriedade, vista pelo Governo do Estado como um laboratório vivo. O manejo de Plantas Alimentares Não Convencionais (Pancs) e a superação de erros, junto com as orientações da Emdagro, fazem do projeto do agricultor um novo modelo alimentar para Sergipe.
“A agrofloresta é um modelo de cultivo que integra espécies anuais como as hortaliças e tubérculos para renda imediata, as frutíferas e madeiras de lei como o mogno, a craibeira, todos no mesmo espaço. O sistema utiliza plantas adubadeiras e nativas para enriquecer o solo naturalmente, dispensando agrotóxicos”, declarou Waltenys, ao citar que, entre os benefícios da agrofloresta estão a sustentabilidade, por meio da recuperação do solo e produção livre de químicos; lucratividade gradual, com retorno imediato com ciclos curtos e lucro crescente com frutas e madeira a longo prazo; e a integração com possibilidade de combinar com a pecuária (adubação orgânica via esterco e alimentação animal saudável).
Nos últimos cinco anos, Luiz Henrique viu seu projeto evoluir de uma horta familiar para uma unidade de referência em agroecologia, após buscar capacitação técnica na Emdagro, utilizando os erros iniciais como aprendizado para consolidar o sistema produtivo. “Os pilares dessa transformação são a recuperação do solo, por meio da adubação verde da gliricídia, por exemplo, uma maior eficiência da gestão hídrica, porque usamos plantas como bananeiras e técnicas de poda para manter a umidade no semiárido, e contamos com as orientações da Emdagro no manejo e na ciência”, ressaltou Luiz Henrique, ao acrescentar que, hoje, sua propriedade é tida como um polo, inclusive, de interesse acadêmico e técnico.
O produtor revelou que a área está há 60 dias sem irrigação, o que, para ele, comprova a eficácia da agrofloresta, que utiliza o desenho inteligente do plantio, mantendo sua subsistência mesmo em longa estiagem. Apesar de a produção ser para consumo próprio, Luiz Henrique comercializa o excedente que produz e, para manter o princípio do sistema, prioriza o resgate de sementes crioulas (genética regional), como oito variedades de feijão, preservando a biodiversidade local.
Tecnologia
O coordenador do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias (CDT) da Emdagro, o engenheiro agrônomo Lucas Travassos, informou que a agrofloresta tem potencial de expansão a longo prazo em Sergipe, devido ao processo natural do crescimento das variedades, que se apoia em árvores de idade de desenvolvimento mais prolongada, por isso o seu modo de produção é mais lento, se comparado a culturas em série. Ainda assim, as tecnologias desenvolvidas no CDT já contam com resultados concretos, com 25 propriedades no estado adotando modelos sustentáveis.
Com o auxílio de tecnologias de baixo custo desenvolvidas na unidade vitrine CDT, técnicas como a vermicompostagem e a gongocompostagem (uso de gongolos para criar substrato), são métodos pioneiros em Sergipe. “No CDT, os Sistemas Agroflorestais [SAF] contam com cultivo experimental de cacau, com sombreamento alternativo e amora italiana, integrando espécies nativas e adubos verdes como gliricídia e moringa. O objetivo é que o agricultor conquiste autonomia, garantindo segurança alimentar, geração de renda com mercados de nicho e preservação ambiental, por meio da ciclagem de nutrientes”, detalhou o engenheiro sobre o objetivo da Emdagro de difundir os conhecimentos tecnológicos experimentados e comprovados no CDT.
O agrônomo Lucas Travassos acrescentou que a Emdagro fornece a base científica e tecnológica para que a agrofloresta seja replicável e sustentável. “A emancipação do produtor como o maior benefício da agroecologia é o foco do nosso trabalho no CDT. Ao produzir seus próprios insumos e adotar tecnologias de baixo custo que desenvolvemos aqui, o agricultor rompe a dependência da indústria química e dos fertilizantes sintéticos”, frisou Travassos, que acredita na transição agroecológica como proteção à oscilação de preços dos insumos convencionais. “Ser um produtor emancipado significa ter o controle total sobre o ciclo produtivo e a qualidade do alimento”, completou.
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