Suely rebate nota de Cacho sobre renúncia e expõe isolamento na federação: “Há uma clara violência política de gênero”
Após anunciar sua renúncia à candidatura de vice-governadora pela Federação PSDB-Cidadania, Suely Barreto afirmou que a decisão foi motivada pelo comportamento centralizador do presidente estadual da federação, Emanuel Cacho. Em entrevista ao Jornal da Fan, da rádio Fan FM, ela acusou o dirigente de tomar decisões sozinho, adotar um tratamento discriminatório contra membros do grupo e praticar violência política de gênero.
Suely também contestou publicamente a nota oficial divulgada por Cacho na última sexta-feira, 11, na qual ele justificava a desistência da candidata apontando que a “campanha enfrenta limitações de recursos e estrutura”.
“Ele fez uma nota oficial assinada exclusivamente por ele, sem passar pelos membros da federação, alegando que a minha saída se deu por falta de recurso, de estrutura de campanha. Isso não existiu, nem comigo sequer ele conversou sobre isso, sobre essa nota”, rebateu.
A ex-candidata reforçou que enxerga no episódio um caso claro de discriminação de gênero no ambiente partidário.
“Eu entendo que, com relação a mim, há uma clara violência política de gênero, de evitar que uma mulher se destaque no processo eleitoral, mas não é a primeira das lutas, provavelmente não será a última. Nós ainda vivemos em um ambiente machista, partidário, mas o meu histórico de militância são quase 30 anos”, disse.
De acordo com Suely, o desgaste com o dirigente se acumulava desde antes da convenção partidária, quando Cacho já demonstrava uma postura inflexível.
“Ele fazia sozinho, ele dialogava sozinho, ele… mas sempre foi claro: ‘não abro mão da minha candidatura para ninguém, eu sou candidato'”, comentou.
A crise escalou, segundo ela, após o nome da Federação PSDB-Cidadania constar na ata da convenção dos Republicanos, acompanhado de declarações de Cacho afirmando ter maioria interna. Suely relata que, embora a convenção tenha aprovado por unanimidade a recusa ao apoio aos Republicanos para manter candidatura própria, o processo de boicote ao seu nome só se intensificou.
“Foi se fortalecendo esse processo de exclusão do meu nome, eu acho que eu acompanhei uma entrevista porque eu sabia onde ele estava e eu apareci no lugar”, contou.
A ex-candidata também denunciou a criação de canais paralelos para isolar correligionários e ocultar compromissos públicos.
“Ele iniciou realmente um processo meio que perseguidor, de um tratamento totalmente discriminatório com alguns dos candidatos. Só pra você ter uma ideia, ele criou um grupo de WhatsApp paralelo ao grupo oficial, pra que ele excluísse candidatos dessa participação, ou excluísse os membros da federação que ele estava chateado. Ficou claro, evidente, uma mágoa dele com os membros da federação dele, que não apoiavam as situações que tinham acontecido pós-convenção, e ele criou um grupo paralelo”, expôs.
De acordo com Suely, o esvaziamento da candidatura atingiu até a divulgação das agendas de rua.
“Nem eu nem parte dos candidatos sabíamos da agenda de campanha, nem eram convidados a participar dos atos que ele recebia convite enquanto candidato. A maioria desses atos até agora, nós só tínhamos conhecimento pela rede social, porque nós estávamos excluídos de um grupo que ele não trazia essas informações. E no meu caso, essa questão de ter que esconder a minha candidatura, eu não poderia falar, não poderia aparecer”, desabafou.
Ao avaliar o que teria motivado as atitudes de Emanuel Cacho, Suely atribuiu a conduta a frustrações políticas do próprio dirigente.
“Eu acho que é mais político. Eu acho que, na verdade, ele sentiu o fato de ter o seu desejo, algumas propostas frustradas pela federação, principalmente pelas pessoas que ele entendia que eram dele”, finalizou.
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