Pesquisas eleitorais e a dúvida: Sergipe repetirá a eleição de 1998 ou de 2006?
Não, este colunista não tem ojeriza ou qualquer posição contrária às pesquisas eleitorais. Também não defendemos que estas sejam apenas para consumo interno. Elas têm que ser publicadas mesmo e o eleitor deve ter a oportunidade de por elas se guiar ou não. O péssimo mesmo é a ausência de informação.
Agora, como ciência, é difícil compreender resultados tão díspares, com levantamentos feitos no mesmo espaço geográfico, com intervalo de tempo quase idêntico e sem fato real superveniente para justificar tamanha distorção de índices.
Esta semana, em Sergipe, duas pesquisas trouxeram cenários totalmente diferentes para as eleições de 2026. Em uma, Mitidieri aparece liderando. Em outra, é Francisquinho o detentor da preferência do eleitorado. Em um estado de “muros baixos”, não cabem julgamentos que ultrapassem a lógica. E é pensando justamente nela, a lógica, que a sociedade precisa observar as pesquisas com cada vez mais criticidade.
Um seguidor disse algo importante: as pesquisas são importantes e, quanto mais próximo do dia da eleição, maior a chance de estarem dentro da realidade. Parece uma espécie de percepção de que, na distância do prazo final, os institutos “brincam” com os números. Na iminência da prova de fogo, se ajustam ao máximo dentro da margem de erro, mirando a credibilidade.
Se as pesquisas não ajudam, a cinco meses do cume eleitoral, termos a noção do que ocorrerá em Sergipe, cabe ao menos a pergunta: repetiremos a eleição de 1998 ou a de 2006?
Contextualizando:
1998 – Albano Franco, governador, candidato à reeleição. Primeiro governador a tentar reeleição na história. Rompido com o aliado João Alves, que contra ele disputou a eleição. Albano havia privatizado a Energipe, estava em meio a uma crise, críticas, efeito das demissões e aposentadorias forçadas, na estatal vendida, além do folclórico “eletro-cheque” para atrair o apoio de Jackson Barreto.
Resultado: Albano passou para o segundo turno com 40%, João Alves com 38%. As forças de esquerda ou “terceira via” somaram pouco mais de 17%. No segundo turno, Albano botou a máquina para funcionar e venceu a eleição com quase 55% dos votos.
2006 – A derrota de 1998 foi, para João Alves, um momento de semeadura. Em 2002, ele disputou ainda sem o apoio formal de Albano e foi ao segundo turno com Eduardo Dutra, do PT. Eleito no segundo turno com ampla vantagem, João já sabia que em 2006 enfrentaria o petista fenômeno em ascensão. Falamos de Marcelo Déda, que venceu a eleição em 2006, impondo a João Alves, até hoje, a pecha de único governador não reeleito em Sergipe. A disputa ganhou o mote de: “a vez do menino”.
O que diferencia 2006 da oposição ao governo Mitidieri? Déda tinha a prefeitura de Aracaju. Até aí, empate. Porém, contava com a força da máquina federal, que trabalhou a seu favor. Foi a união de imagem, gestão de Aracaju, força do discurso, máquinas (Aracaju e Brasília) e estratégia assertiva.
Resta saber se, para Valmir, será suficiente o souvenir de imagens produzidas. O ceboleiro não conta com a máquina federal, tem a de Itabaiana, e a de Aracaju duvida-se que por ele fará grandes sacrifícios. Será?
Sigamos em um pleito que está apenas no seu início e conta com torcidas apaixonadas. No fim, a eleição não será decidida pela pesquisa. Será decidida por quem souber transformar cenário em voto.
NOTAS DA SEMANA
Emília X FábioO governador, ao responder à prefeita Emília Corrêa, aumentou o tom e deixou claro que não deixará o clima de paz como o que até foi estabelecido. Fábio atacou problemas que a gestão de Emília tem enfrentado.
Emília X Fábio IIE o tom dado foi após a reunião com a bancada de vereadores de Aracaju. Na pauta, o engajamento dos aliados nesta fase de reta final de pré-campanha. Os parlamentares deram feedback ao governador sobre as dificuldades que cada um tem enfrentado para fortalecer o nome de Fábio.
Como ficarão os vereadores?Com boa estrutura de cargos de um lado e de outro, vereadores de Aracaju têm ficado na neutralidade quando Fábio e Emília se enfrentam. Não defendem nem atacam nenhum dos dois líderes. Parece que essa posição “murista” terá que acabar.
Anderson de Zé das CanasBuscando aproximar sua relação com o eleitorado do Agreste e do campo, Anderson de Zé das Canas gravou um vídeo com uma declamação bem feita e muito atrativa. O ex-prefeito de Frei Paulo está no PSD e disputa com Katarina Feitosa a segunda vaga do partido
Mais lidas
- 1 Após exonerar a esposa, prefeito Samuel Carvalho busca novo nome para Educação de Socorro em meio a críticas à gestão de Adriana Carvalho
- 2 Abastecimento de água volta gradualmente na Grande Aracaju após reparo na adutora
- 3 BBB 26: Globo toma decisão sobre cachê de Henri Castelli após saída por motivo de saúde
- 4 Prefeitura de Nossa Senhora da Glória abre inscrições para PSS com salários de até R$ 18 mil
- 5 Prazo para solicitar troca de titularidade ou percurso da Corrida de Aracaju termina nesta sexta-feira