Política

Se o bolsonarismo tinha o sonho de vencer em Sergipe, a passagem de Lula pode ter destruído essa ilusão

Neste sentido, os números são favoráveis a Lula aqui em Sergipe

Por Fan F1 Publicado em 01/06/2026 07:12
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Frase dita esta semana, não recordo exatamente por quem: “política é matemática”. O que quer dizer essa afirmação? Que não adianta discurso ou zoada em rede social. Vence quem tem mais votos e ponto final. Simples assim. Barulho não é voto.

Neste sentido, os números são favoráveis a Lula aqui em Sergipe. Das seis eleições que disputou, Lula venceu três e perdeu três em Sergipe. Por coincidência, venceu aqui quando venceu as eleições nacionais.

Em 1989, no Brasil e em Sergipe, Lula foi derrotado por Collor no primeiro e no segundo turno. O fato se repetiu em 1994 e 1998, duas derrotas para Fernando Henrique Cardoso.

O jogo vira favoravelmente ao atual presidente a partir de sua primeira vitória, em 2002. Desde então, Lula e os candidatos do PT não mais perderam em nosso estado.

Dilma foi a mais votada em 2010 e 2014. Em 2018, mesmo perdendo no Brasil, Haddad venceu em Sergipe. São 24 anos e, neste período, seis eleições de hegemonia petista nas disputas presidenciais em Sergipe.

Essa preferência por Lula se dá por diversos motivos que não cabem aqui detalhar, pois não é o foco desta análise. O que importa entender é que o que afasta eleitores de suas preferências são fatos negativos e uma realidade econômica dura.

Sergipe vive um bom momento econômico em virtude de ações do governo Fábio Mitidieri. Com os bilhões anunciados nesta semana, o sergipano olha para o futuro com mais otimismo.

Otimismo se reverte em consolidação de voto. Portanto, se os bolsonaristas acreditavam em uma vitória histórica, terão que esperar mais um pouco.

Lula passou o trator na ilusão bolsonarista e deverá vencer mais uma vez em Sergipe. Resta saber, agora, se vencerá a medição nacional e qual será a sua capacidade de transferência eleitoral para os seus aliados em Sergipe.

NOTAS DA SEMANA

Fábio muito satisfeitoO governador Fábio Mitidieri fechou a semana com inúmeros fatos positivos. Além das medidas de governo, Fábio entregou o viaduto do Complexo Maria do Carmo, teve o dia de anúncios com Lula e abriu os festejos juninos na Orla de Atalaia. Para qualquer gestor que esteja tentando a reeleição, semanas como esta são necessárias.

Expectativa de reverter votoA coordenação da campanha de Fábio tem agora o desafio de fazer reversão de voto em prol do governador após tantos anúncios positivos ao lado de Lula. Em 2022, Lula era o candidato de oposição, sua influência no voto em Sergipe não foi real, diferente de 2002 e 2006.

1989: Sergipe foi CollorNa primeira eleição presidencial após a redemocratização, Sergipe caminhou em direção oposta à de Lula. No primeiro turno de 1989, Fernando Collor conquistou 50,81% dos votos no estado, enquanto Lula ficou com 18,19%. No segundo turno, a vantagem aumentou. Collor alcançou 65,89% dos votos dos sergipanos, contra 34,11% de Lula.

1994: O domínio de FHCCinco anos depois, Sergipe voltou a rejeitar Lula. Beneficiado pelo sucesso do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso venceu o primeiro turno no estado com 47,37% dos votos. Lula apareceu em segundo lugar, com 36,94%. FHC venceu no primeiro turno.

1998: A última derrota de LulaA eleição de 1998 marcou a última vez em que Lula perdeu uma disputa presidencial em Sergipe. Fernando Henrique Cardoso repetiu praticamente o mesmo desempenho de quatro anos antes e venceu o estado com 47,37%; Lula alcançou 35,31%. FHC reeleito.

2002: a virada petistaEm 2002, Sergipe acompanhou a onda nacional que levou Lula à Presidência da República. No primeiro turno, o petista recebeu 44,27% dos votos, mais que o dobro dos 19,85% obtidos por José Serra. No segundo turno, Lula ampliou sua vantagem e venceu com 57,5% dos votos, contra 42,5% de Serra. Era o início de uma nova fase política no estado.

2006: Lula repete vitóriaNo primeiro turno, Lula derrotou Geraldo Alckmin por uma diferença apertada: 47,33% contra 44,36%. Já no segundo turno, a vantagem tornou-se ampla. Lula alcançou 60,16% dos votos em Sergipe, enquanto Alckmin ficou com 39,84%.

2022: o auge do LulismoLula voltou a confirmar sua força eleitoral em Sergipe. No primeiro turno de 2022, obteve 63,82% dos votos, contra 29,16% de Jair Bolsonaro. No segundo turno, a vantagem aumentou ainda mais. Lula chegou a 67,21%, enquanto Bolsonaro registrou 32,79%. Foi a primeira vez que o índice foi atingido.

A semana da ausênciaNenhum fato marcou mais a semana da prefeita Emília Corrêa do que a repercussão de sua ausência na entrega da primeira etapa do Complexo Viário Maria do Carmo Alves. A homenagem tinha forte simbolismo político. A explicação do “choque de agenda” não impediu que adversários explorassem o episódio.

O peso do simbolismoEm política, há eventos que valem mais pelo simbolismo do que pelo ato administrativo ou político. A inauguração do complexo foi um deles. A discussão deixou de ser sobre concreto, asfalto e mobilidade para se transformar numa disputa sobre prestígio político e relacionamento institucional.

Susane é a apostaA confirmação pública de Susane Vidal como pré-candidata a deputada federal mostrou que Emília começa a organizar seu grupo para 2026, criando nomes para “chamar de seu”. O vídeo divulgado nas redes deixou a impressão de que a candidatura é uma aposta pessoal da prefeita, e não apenas uma construção partidária. Esta semana Susane fez um estágio de entrevista e, quando se sentir mais firme, deve vir ao Jornal da Fan.

Edvaldo faz um Gustinho diferenteCampanha faz realmente milagres. No mercado do Augusto Franco este domingo, Edvaldo Nogueira esteve com uma figura que por lá nunca foi visto, o deputado federal Gustinho Ribeiro. Um café da manhã reuniu aliados de Edvaldo e do deputado federal, que se desenha como o candidato do ex-prefeito em Aracaju.

Impacto da aliançaEntregar o grupo de Aracaju para apoiar o deputado federal Gustinho Ribeiro pode trazer consequências políticas para Edvaldo e sua pré-candidatura. Senador não pode ter preferência por apenas um deputado ou ao menos não deveria.

Deferência por MárcioO presidente Lula demonstrou sua deferência pelo ex-ministro e pré-candidato a deputado federal, Márcio Macedo. Com gestos e falas, Lula por diversas vezes citava o aliado em suas falas e, nas redes sociais, houve uma grande exposição de fotos de Lula ao lado de Márcio.

Gesto de estadistaO presidente Lula foi extremamente elogiado pela postura de pedir à plateia de militantes que não vaiasse ao senador Laércio Oliveira. Lula fez uma reflexão sobre a diferença entre atos institucionais e eleitorais. Além disso, lembrou precisar dos senadores para a governabilidade. Muitos referenciaram a atitude como prática de um verdadeiro estadista.

Diferente de BolsonaroEm maio de 2022, três parlamentares foram vaiados em ato com Bolsonaro e viram o então presidente sorrir e não fazer qualquer tipo de intervenção. Ao contrário, citava os parlamentares dando intervalo, como se estivesse se divertindo. Bosco Costa, Fábio Reis e Gustinho Ribeiro foram vaiados.